O Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Conheça os detalhes mais importantes deste ícone extraordinário cuja contemplação nos eleva ao céu!

Ícone é o nome dado a uma pintura que é carregada de significados sagrados e leva seu observador à oração. Por isso, um ícone não é apenas um quadro ou uma obra de arte a ser admirada. A veneração dos ícones sagrados esteve presente na Igreja desde os primórdios do cristianismo. As imagens de Jesus Cristo, de Nossa Senhora, dos outros santos e dos anjos fazem parte da tradição bimilenar da Igreja Católica.

O autor do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, exposto à visitação dos fiéis na igreja de Santo Afonso de Ligório, em Roma, permanece desconhecido até nossos dias. Segundo a tradição da Igreja, no entanto, o artista que pintou a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro inspirou-se em um ícone atribuído a São Lucas. Além de médico, homem culto e letrado, o Evangelista foi provavelmente um dos primeiros iconógrafos da história da Igreja. Segundo antiga tradição, São Lucas teria pintado ícones de Jesus Cristo, da Virgem Maria, de São Pedro e São Paulo. Há pinturas atribuídas a ele que existem até hoje, como é o caso dos ícones da “Theotokos de Vladimir” e de “Nossa Senhora de Czenstochowa”.

Nossa Senhora de Częstochowa - Wikiwand

(Nossa Senhora de Czenstochowa)

 

O Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro segundo a tradição, surgiu na Ilha de Creta entre os séculos 13 e 17. O quadro representa a Virgem da Paixão com o Menino Jesus nos braços.

Essa imagem mariana foi pintada para animar a esperança e a oração dos cristãos e sua profunda mensagem espiritual transparece em sua beleza artística.

quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro constitui uma pintura bizantina, uma das “Virgens da Paixão”, que destacam o significado da Paixão de Jesus e da intercessão da Mãe de Deus em favor da humanidade.

É muito mais que a lembrança de uma pessoa ou de um fato transcorrido. Recorda-nos as pessoas de Cristo e de Maria no mistério da Redenção. O quadro feito de madeira tem 53 centímetros de altura por 41,5 de largura.

Atualmente, o quadro original encontra-se na Igreja de Santo Afonso, em Roma.

Roubado ao final do século XV, da ilha de Creta, o quadro retornou a  ser exposto após anos de esquecimento, em 26 de abril de 1866, depois de um processo de restauração acompanhado de um mandado do Papa Pio IX aos padres redentoristas: “Fazei-a conhecida no mundo inteiro!”

É considerado um ícone mariano com rico simbolismo de formas e cores. O Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é formado por quatro figuras: Nossa Senhora, o Menino Jesus e dois arcanjos.

A Palavra “ícone” vem do termo grego “eikon”, que significa genericamente imagem. Ícone é o nome dado a uma pintura que não é apenas um quadro ou uma obra de arte, os significados são sagrados e leva seu observador à momentos de piedade, contemplação e oração.

Pode haver quem conteste esta prática tão santa da tradição da Igreja Católica, a de venerar ícones e imagens, mas o Concílio Vaticano II vem dirimir toda essa confusão causada, em grande parte, pelo protestantismo com a Constituição Dogmática Lumen Gentium, 67. “Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos”

Sem mais… Vamos aos significados:

Entre os simbolismos presentes na imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, talvez o teologicamente mais rico e espiritualmente mais significativo seja o retrato do Calvário. Ao contemplar a Virgem do Perpétuo Socorro, vemos à sua esquerda o arcanjo São Miguel, que apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice das amarguras que o Cristo sorveu até o fim. À direita, está o arcanjo São Gabriel, com a cruz e os cravos, que foram os instrumentos da paixão e morte de Jesus. O Menino Jesus, o Perpétuo Socorro em pessoa, assustado ao olhar para os instrumentos de Sua paixão, com as duas mãos, segura firmemente a mão direita de sua Mãe, como que nos ensinando a confiar-nos inteiramente a ela, especialmente nos momentos de medo, dor e sofrimento.

Para completar a nossa “leitura” do ícone, na perspectiva do mistério pascal de Cristo, podemos olhar para Maria como a Virgem das Dores. A sua mão esquerda, que sustenta o Filho, simboliza a sua presença aos pés da cruz (cf. Jo 19, 25). O seu olhar materno, ao mesmo tempo que demonstra o acolhimento e o cuidado para com cada um de nós, que fomos entregues a ela como filhos, é um convite para que a levemos para o que é nosso, ou seja, para a nossa vida interior, como fez o discípulo amado (cf. Jo 19, 27).

Um detalhe do ícone, que pode passar despercebido, é a sandália desamarrada, que pode simbolizar um pecador, preso a Jesus apenas por um fio, fio este que é a devoção a Santíssima Virgem. Este “fio” tão frágil pode ser uma lembrança, ou uma devoção sem muita piedade, que num momento de desespero, de sofrimento, pode nos manter unidos ao Senhor. Vemos uma imagem disto naquela que é provavelmente a mais conhecida e bela parábola de Jesus, presente somente no Evangelho escrito por Lucas: a parábola do filho pródigo.

1.. As letras MP e OY – Em grego, estas abreviações posicionadas à esquerda e à direita do quadro significam Mãe de Deus.

2. Só em 1867 foi colocada a coroa sob a cabeça de Maria. Uma Coroa de ouro, em agradecimento dos muitos milagres feitos por Nossa Senhora em seu título preferido “Perpétuo Socorro”.

3. A Estrela no manto acima da cabeça da Virgem, quando associada a Nossa Senhora, significa que Maria é nossa guia até Jesus, conduzindo-nos pelo mar da vida até o porto da salvação.

4. Abreviação do Arcanjo São Miguel.

5. O Arcanjo São Miguel apresenta a lança com que foi perfurado o lado de Cristo, a vara com a esponja embebida em vinagre oferecida a Cristo na Cruz para que bebesse, e o cálice da amargura.

6. A boca de Nossa Senhora guarda silêncio.

7. A túnica é vermelha, cor da realeza e do martírio.

8. O Menino Jesus segura as mãos de Maria, que permanecem abertas como convite a colocarmos ali as nossas próprias mãos, unindo-nos a Jesus; e os dedos de Nossa Senhora apontam para o Filho, mostrando que Ele é o Caminho.

9. Abreviação do Arcanjo São Gabriel.

10. Maria olha diretamente para nós.

11. São Gabriel com a Cruz e os pregos.

12. Abreviatura de Jesus Cristo em grego.

13. Jesus veste roupas da realeza. O halo ornado com uma cruz proclama que Ele é o Cristo.

14. A mão esquerda de Maria sustenta Jesus: a mão do consolo que ela estende a todos os que a procuram nas lutas da vida.

15. A sandália desatada simboliza a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e a esperança de um pecador que, agarrando-se a Jesus, vai em busca da Sua misericórdia. O Menino levanta o pé para não deixar a sandália cair, visando assim salvar o pecador.

16. O manto azul com forro verde sobre a túnica vermelha também apresenta cores da realeza. Somente a imperatriz podia usar essas combinações de cores na tradição bizantina. O azul, além disso, era ainda o emblema das mães.

17. Por fim, todo o fundo dourado destaca a importância de Maria: é símbolo de poder e nobreza, bem como da glória do Paraíso para onde iremos, levados pelo Perpétuo Socorro da Santíssima Mãe de Deus e Mãe nossa.

 

Que esta leitura tenha trazido proximidade com o céu pra você!

 

Giuliane Matos

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